Sábado, 10 de Dezembro de 2005

OLÉ LOUÇÃ!

NIDO.jpg

Sabe-se da minha aversão ao pensar, programar e falar do Louçã. E relativamente ao Bloco, penso dele o que um transmontano-duriense pode pensar da abstinência seguidista de Maomé – a ruína do ninho onde foi parido. Mas, na gestão desta aversão, ainda não caí na tentação rasca de o tentar diminuir, como outros o fazem, tratando-o por “Anacleto”. Depois da sua performance no debate com Cavaco, se não o fiz antes, prometo manter a compostura de nunca o vir a fazer.

Louçã, no debate, conseguiu assegurar não só uma segunda volta, como cavar a Cavaco uma derrota garantida no tira-teimas de Fevereiro. E, neste aspecto, a esquerda portuguesa, a partir de agora, passa a ter uma dívida de reconhecimento para com Francisco Louçã. Com prazo de validade garantida para os próximos dez anos (o tempo adicionado do primeiro e do segundo mandatos de Manuel Alegre).

Louçã não ganhou a Cavaco, reduziu-o a pó. Ou, se preferirem a imagem, não o deitou ao tapete, meteu-o debaixo do tapete e embrulhou-o nele. As razões de pormenor e especialidade da faena mestra, deixo-a para outros, para os blogues e jornais de amanhã. Porque é preciso dar tempo a que os atónitos recuperem o fôlego (dando-me também a mim a recuperação do efeito de surpresa). Direi apenas que Cavaco, perante um Louçã em forma, e que forma, demonstrou que não vale a ponta de um cavaco, é uma bufa que não chega a peido. E que, até como ministro das finanças, Louçã faria sempre melhor que ele.

Perdendo, da maneira que perdeu e como perdeu, e com Louçã, Cavaco pode procurar armário para arrumar as botas (dando-lhe crédito de que não sejam de elástico, mas democráticas e até bem intencionadas).

Duvido que Louçã se tenha entendido com Alegre. [Mas, nestas coisas, nunca sabemos, não é?] Mas que Louçã, por mérito de uma excepcional performance a todos os níveis – no terreno onde Cavaco se refugiou como especialista, mostrando-lhe os remendos mal amanhados nas áreas em que o Messias nada sabe só porque nada sabe – contruíu a parte que faltava para que Alegre caminhe para Belém. E disso não tenho qualquer dúvida. Agora, confesso que agora, só agora, com todo o alívio.

Paralelamente, o cambalacho Soares-Jerónimo fica a soar mais pornográfico naquilo que é. Porque demonstra que é possível ganhar a Cavaco, no seu terreno e puxando-o para fora do seu redondel. Traduzindo em linguagem que é meu gosto, lidá-lo junto às tábuas, amansá-lo ali e, depois, sacá-lo e dar-lhe lide, no tércio de muleta, ali nos “médios”, lugar onde a cobardia perde margem de talento de disfarce. Sem insulto nem tremendismo, sem gritos nem histeria vinda do canto do cisne da próstata, com classe, templando, olé, sem ajudas de bandarilheiros e moços de estoques a disfarçarem sapos como se fossem couratos à moda de Periscoxe.

As câmaras mostraram – Cavaco tremeu os sobrolhos e os lábios, salivou a derrota anunciada, acabou a falar para dentro.

Parabéns Louçã. Obrigado Louçã.

Alegre em frente!
Até porque tens aqui, ali, acolá, a tua gente. [não há prazo para o medo, os apoios que ainda te faltam e de que precisas, vão aparecer, irão aparecer]
publicado por João Tunes às 00:38
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1 comentário:
De Carlos a 10 de Dezembro de 2005 às 03:56
Granda post! é assim que se fala e mais nada! a) Cavaco seria um buraco se tivéssemos de levar com ele em cima, b) Algre cada vez se evidencia como o único voto consequente. (vi a primeira metade do debate, pois tive de sair; mas o que li aqui... chaga-me! Thanks, João)


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