Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

VOTAR PARA AS AUTARQUIAS

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Quase vinte anos morando por aqui, não tenho razões de queixa, daquelas de monta, do trabalho autárquico que aqui se presta. Podendo-se fazer melhor, não se faz o pior. Esta a razão porque, em dissonância com opções em outras disputas eleitorais, mantive sempre fidelidade de voto CDU nas Autarquias.

Julgo que não seja caso único. E, mais ou menos, será o caso um pouco pelo País fora. O que explica que, nas autárquicas, a CDU tenha sempre conseguido os seus melhores resultados eleitorais. Não são os que já foram, mas continuam a ser os seus melhores.

Embora esta distinção autarquias/parlamento tenha um lado contraditório na medida em que significa que se confia na gestão imediata e de rédea curta mas desconfia-se em termos de uso de poder mais alargado e efectivo, o certo é que a CDU tinha aceitado este “compromisso” de balanceamento eleitoral, esforçando-se por valorizar localmente os seus méritos autárquicos com os sinetes do “TRABALHO, HONESTIDADE, COMPETÊNCIA”. Desta forma, havia um compromisso tácito entre eleitores e CDU que desembocava numa selectividade de voto que revertia no património da votação autárquica da CDU.

Para meu espanto, a CDU, pela voz de Jerónimo de Sousa, resolveu, nesta campanha eleitoral, quebrar este jogo e levar as autárquicas à sua máxima politização. O SG do PCP disse claramente, com todas as letras, que o mais importante nestas eleições, acima da opção quanto à resolução dos problemas locais, era a avaliação da política do Governo e o seu castigo nas urnas. Julgo que o terá feito com a barriga inchada pela mobilização, que ele julgará que reverterá em meritização eleitoral do PCP, dos sectores mais avançados, concientes e combativos da classe operária em luta contra o Governo – militares, esposas dos militares, polícias, juízes, oficiais de diligências, funcionários públicos, professores, médicos, enfermeiros e donos de farmácias. Talvez confiando nos juros permitidos por vários descontentamentos sociais para contrabançar desgastes e perdas de influência em algumas zonas admitidas como de influência tradicional e segura do PCP. Mas sendo uma inversão táctica importante do PCP, nada tenho contra pois mal parecia que um novo SG não trouxesse novidade alguma.

Assim, fiquei a saber que votar CDU na minha Autarquia deixou de ter o sentido - do ponto de vista da própria CDU - que tinha antes: o de avaliação sobre o trabalho autárquico na minha zona (por sinal, sob maioria absoluta da CDU) mas, antes, se transformou numa opção para avaliar o governo versus luta de classes dirigida pelo PCP. Não fugirei a este desafio de mudança política. E eu, singelo eleitor, atento às mudanças, irei votar em conformidade. Não votando CDU.
publicado por João Tunes às 00:45
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4 comentários:
De Eugnio Costa Almeida a 8 de Outubro de 2005 às 18:00
Obrigado João Tunes pelas palavras que também colocou no Angonotícias. E tal como lá volto a reafirmar que é Angola que está de parabéns.
De qualquer forma um grande e fraterno abraço de amizade e agradecimento.
Eugénio Costa Almeida


De Eugnio Costa Almeida a 8 de Outubro de 2005 às 17:52
Obrigado João Tunes pelas belíssimas e simpáticas palavras.
Mas como digo no meu blogue, o grande mérito não é só meu, diria mais, menos nada meu; mas seu e de Jorge Neto, do Africanidades.
Eu só dei o tiro de partida. Foram vocês e todos os que encheram a RTP de mensagens os grandes obreiros.
A todos um grande kanimambo/Obrigado.
Eugénio Costa Almeida


De Zulu a 8 de Outubro de 2005 às 12:25
Não era necessário elaborar argumento tão rebuscado para se justificar... Agora sim... pode ficar de consciência tranquila pois a travessia da ponte foi feita. Apenas me ficou uma dúvida ? Afinal o trabalho da CDU na sua autarquia é positivo ou não ? Para dirigir os destinos da sua Autarquia, já encontrou melhor alternativa ??


De C. Indico a 7 de Outubro de 2005 às 22:56
Não voto nunca CDU, porque não sou comunista por ter sentido na pele,embora em África, e porque não compreendo por não ser só PCP, já que os Verdes são uma secretaria na cave.
Mas os comunistas ortodoxos fazem falta, se fazem!


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