Sábado, 10 de Dezembro de 2005

OLÉ E BLOGANÇO



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Recebi, comovido, o desafio do besugo para fazermos um "post a quatro mãos" sobre o debate Cavaco-Louçã, juntando a sua análise da primeira parte com a minha análise da segunda. Ainda me contorci (espantado com a surpresa da proposta) mas acabei por não resistir ao desafio.

Aqui vai o resultado da salada feita por dois "alegretes" (um lampião e um lagarto no mesmo saco):

Cavaco nervoso, as mãos tremiam. Louçã calmo, sereno.

Contança agressiva, Sousa Tavares também. Ainda enlameado do pântano eslovaco, este nervoso.

Deviam ser sempre estes a fazer perguntas, desculpa lá, lolita, mas deviam. Ser presidente da república não é como ser treinador do Sporting: deve ser cargo sufragado depois de duras provas.

Andou-se ali às voltas com coisas que são da competência (ou da incompetência) dos primeiros ministros e dos governos. Também, valha a verdade, não há trajecto político, nem institucional, nem social, nem outro qualquer (excepto a rodagem do BX), que permita interpelá-lo - a Cavaco - sem ser tendo por referência o seu ministério. Cavaco acha mal que haja desempregados, mas. Cavaco deplora que sejamos pobres, mas. Cavaco acha, de tudo, que está bem, mas. Ou, no mesmo tom, que está mal, mas. É uma pessoa num papel que não lhe cai bem. Como o Pedro Granger na novela de ontem. Em mais comprido e mais tetânico, na expressão. Não é titânico, é mesmo um "e" de estricnina.

Louçã foi calmo, pertinaz, seguro, sereno e incisivo. Nem sequer nos temas "cifronados" Cavaco esteve à altura do adversário. Sim, adversário, que foi como Louçã se lhe referiu.

Cavaco deve ser um homem de bem que não é tão bom (nem sequer metade) como os que lhe lambem o escroto apregoam que é. O que não me faz retirar-lhe a sobrepeliz de "homem de bem". Mas, homem de bem também sou eu. E é o que se vê, às vezes, eu, é de crú para baixo (atenção ao "erre", ó João Tunes!).

Louçã, que venceu a primeira parte do debate por 7-0, faz-me lembrar o Mourinho: é muito bom, tem muita razão (senão não fazia tantos anúncios) , mas não gosto dele ao ponto de me vir. Tenho um grelo, talvez dois, mas é lá fora no quintal. E está uma geada branca de arrepio.

Que Louçã ganhou a primeira parte, ganhou: quanto mais oiço Cavaco, mais Alegre me sinto, nem que seja por interposto Louçã (aliás, um tipo esperto, inteligente, lavadinho; mas que ainda é da minha idade, ou mais novo do que eu, e eu não consigo respeitar demais tipos que trataria por tu, num bar qualquer).

Como se trata Manuel Alegre? É por "senhor", é por "doutor"? ... É por senhor. É muito melhor. Ó Manuel Alegre também deve servir. Ou então faz-se como quando temos de lidar com aquelas pessoas que nos impressionam e nos tratam por tu, nos pedem para fazermos o mesmo em relação a elas - nunca vos aconteceu? - e a gente, incapaz de as tutear, trata-as por "Ó, ... desculpe, oiça cá".

Há muitas formas de mostrar respeito. Todas válidas, desde que o respeito seja sentido.

Seja como for, Louçã ganhou largueiro. Excepto para a selecção de sub-2 neurónios. Sim, há muito disso por aí. E votam na mesma, paciência. Querem fazer a sequela da "Fuga das galinhas", que se chamará "Galináceos ao poder, pomos ovos com rótulo, alguem que nos gale bem, ou mesmo mal, a gente põe". São mesmo muitos, e parecem-se demais com aquelas pitas no aviário, cheias de estar ali na promiscuidade penosa das penosas, muito ansiosas por saltar para um forno redentor, após competente morte, depilação e tempero.

Um dos aspectos que fez brilhar o debate entre Louçã e Cavaco (ganho a KO, no segundo “round” pelo primeiro), tem a ver com um equívoco partilhado entre os dois candidatos (um real e outro putativo) – é que, ambos, enganaram-se nas eleições e assumem programas de governo, quando não é de presidir a Conselhos de Ministros que se trata agora.

Partilhando a mesma mistificação, com Louçã a dar um contributo equívoco mas muito útil á desmontagem do mito Cavaco, mediram-se competências na centralidade que Cavaco escolheu como refúgio das suas insuficiências políticas – a solução dos problemas económicos e financeiros (como se o PR fosse, ou pudesse ser, um Super Ministro da Economia e das Finanças). E nesse campo, o deputado bloquista e candidato para marcar o ponto, mostrou que, mesmo que a tresmalhice de Cavaco tivesse cabimento, faria o lugar com muito mais competência, sensibilidade social e política, dominando até mais informação (Cavaco propôs estudo já feito e conhecido sobre a sustentabilidade da Segurança Social!).

E Louçã deu o golpe mortal ao tirar a máscara seráfica a Cavaco, ao evidenciar o mal escondido – por trás das falinhas mansas do candidato, das suas juras cooperantes e legalistas, evidenciando a matilha do capitalismo selvagem que se esconde no canil do seu estado maior, ainda a salivar, mas pronto para morder de Belém até São Bento, passando pelo Terreiro do Paço. E esta máscara é tão máscara como a outra, em que Cavaco esconde os Partidos que o apoiam atrás da tapeçaria da sua sala professoral.

Louçã fez bem o seu papel. Missão cumprida (e bem importante – demonstrar a vacuidade perigosa e serôdia de Cavaco). Merece bem o prémio do quarto lugar na primeira volta. Falem agora os candidatos (reais). Ou seja, quem disputa com Cavaco a segunda volta.

Alegre, no debate com Cavaco, trocou acutilância pela respeitabilidade de uma alternativa institucional. Colou mal junto das audiências sedentas de sangue. E deu fio solto aos truculentes. Veremos se os eleitores preferem os desabridos agarrados aos aparelhos. Ou se, entregando o “trabalho sujo” a outros, nomeadamente a evidência dos jogos escondidos (os entendimentos Jerónimo-Soares e a hipotética preferência de Sócrates numa vitória de Cavaco como motivo do apoio a Soares), a postura de Alegre não é a mais consentânea com uma corrida de longa distância em duas etapas.

Besugo / João Tunes
publicado por João Tunes às 22:52
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2 comentários:
De legendas a 11 de Dezembro de 2005 às 19:30
Colaboração a manter de futuro!


De Graza a 11 de Dezembro de 2005 às 14:19
Boa parceria e bom resultado! Permiti-me fazer um extrato com link.


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