Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005

RE-ÁFRICA (1)

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Não me venham, a despropósito (embora as mãos nunca doam nas estaladas aos corruptos locais de mando e desmando), dizer que tudo de mal que se passa nas antigas colónias portuguesas em África é por causa da “pretalhada” que quis a independência e depois não se soube governar e ainda fez pior que “nós” quando lá “estivemos”. É que fomos “nós”, os europeus colonos, que ensinámos os africanos a roubar, roubando-os. E lhes ensinámos a manejar as armas (de que eles tanto usaram e abusaram depois), quando os metralhámos a conquistar-lhes terrenos, passando das feitorias junto ao mar para a ocupação do território interior. Mas, sobretudo, a partir da altura em que eles, os “pretos”, esses “cabrões dos turras”, pediram autonomia, autodeterminação e independência, para serem africanos soberanos na sua terra africana, e lhes démos como resposta o napalm, os frascos com formol para lhes metermos dentro as orelhas, os narizes e os pénis decepados, rebentando crâneos ao pontapé e à coronhada como se fossem bolas de trapos, fornicando porque vagina é vagina em qualquer parte, soltámos - para os morderem e torturarem - os homens-cães da Pide, casámos cada jovem português com uma G3 para lhes atirar no cachaço e nos seus ideais.

Para, no fim, em colheita de tempestade, virmos por aí acima de escantilhão, às centenas de milhares (em que tanta valentia junta deu em nada), com o cú pegado à cueca, os das armas e os da abastança fácil e rápida, racistas como o racismo nos pariu, com caixotes grandes estendidos pelos cais e aeroportos, ricos proletarizados com fortunas e bem-bom destroçadas, armas para devolução no espólio dos Adidos, cheios de saudades das acácias, do camarão, das praias, do por-do-sol, dos palmares, das mamas africanas quando tesas e rijas, do calor húmido no ar e das águas cálidas no mar, mais os criados e amas da cor da noite ao preço de meio tostão furado.

Imagem: Nas ruínas do quartel abandonado de Guiledje (Guiné), os restos de um monumento guerreiro de uma Companhia do Exército Colonial onde se pode ler este absurdo tremendista: “Vencer sem perigo é triunfar sem glória” numa foto actual tirada daqui
publicado por João Tunes às 16:34
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