Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005

EM QUE FICAMOS?

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“Em Fátima, o que há, desde 1917, é puro paganismo. Nada do que lá se faz tem as marcas de Jesus, o de Nazaré. Tem apenas a marca da mítica Deusa virgem e mãe dos cultos do paganismo mais primitivo, quando as sociedades foram matriarcais, e que, desde então, nunca mais descolou do inconsciente colectivo dos diversos povos do mundo, também do povo português. As chamadas aparições de 1917, de Maio a Outubro, são um tosco teatro montado pelo clero de então para tentar desacreditar a República de 1910 e que vingou como “aparições”, graças ao obscurantismo e ao terror do inferno que o clero da altura, coadjuvado pelos padres da Santa Missão, explorou até ao delírio e à demência quase colectiva. Era nesse terror que viviam todos os dias as populações das aldeias, também a de Fátima. Acha que exagero? Basta vermos como tudo aquilo foi montado. Nada acontece por acaso. Antes de se iniciar o espectáculo, já se conhecia o guião. Seria apenas de 13 de Maio a 13 de Outubro. Apenas seis vezes. Sempre aos dias 13, à mesma hora. Fez-se constar que a senhora vinha do céu e era posta a falar a três crianças, previamente escolhidas da mesma família. Mas ninguém da população poderia ver a senhora nem ouvir o que ela dizia. Apenas as crianças. E destas, nem todas ouvem! Das três crianças, só a Lúcia, a mais velhita, seria autorizada a fazer perguntas à suposta senhora. As perguntas podiam ser ouvidas pelo público presente, não as repostas. As perguntas, postas na boca de Lúcia, são o exemplo acabado da parvoíce. E as respostas que Lúcia diz que a senhora lhe deu, ainda mais. Nunca, em parte alguma do mundo, semelhante conversa teria interessado a alguém. Só em Portugal,nesse obscuro tempo da primeira metade do século XX, ainda sem um pingo de Evangelho de Jesus e sem um pingo de Modernidade. O programa segue até final. Depois, para que a mentira nunca mais fosse desmentida, deixaram morrer as duas crianças irmãs, no auge da peste pneumónica. É caso para dizer: nem a senhora de Fátima, tão milagreira ao que dela diz a publicidade bem paga que por aí se faz, lhes valeu! Uma infâmia de todo o tamanho, portanto. Pelo menos, a mais novinha, Jacinta, morreu a delirar com dores horrendas, no mais completo abandono por parte do clero. Restava a mais velha dos três. A solução foi encarcerá-la no Asilo do Vilar, no Porto, e convencê-la, através dos confessores, do bispo e de outras pessoas influentes da Igreja, todas interessadas em impor Fátima ao país e ao mundo, que ela era uma menina escolhida pelo céu para ser santa e para difundir no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Coisa teologicamente mais parva nunca se viu, mas vale tudo, quando se trata de manter as populações e os povos sob o jugo do clero e do poder eclesiástico! Mas assim estava programado antes de começar a acontecer, e assim se fez. Lúcia lá partiu para o Porto, numa alta madrugada, sem que ninguém soubesse. E só passou a ter alguma autonomia, quando já nunca mais poderia ser ela própria e “voluntariamente” aceitou ser freira de clausura total, no Carmelo de Coimbra, onde viria a falecer, recentemente. E agora que não há mais o perigo de as três crianças dizerem a verdade, Fátima e a sua fraude têm mais que nunca pernas para andar. A menos que as populações e os povos cresçam em consciência crítica e na sabedoria de Jesus, o de Nazaré. Porque então, renunciarão duma vez por todas à senhora de Fátima, às suas mentiras e aos seus cultos, como coisa demoníaca-idolátrica que tudo aquilo é! A minha alegria maior será ver chegar depressa esse dia! A concluir, digo ainda: tenho repetido que Fátima não faz parte do Credo. Por isso, pode-se ser católico e não acreditar em nada de Fátima. Mas, agora, vou mais longe e atrevo-me a dizer: quem quiser ser cristão católico jesuânico não pode acreditar em Fátima. Tudo aquilo é incompatível com a Fé cristã, com o Cristianismo de Jesus.”

Padre Mário de Oliveira, em “Contas à Vida”, Viriato Teles, Ed. Sete Caminhos
publicado por João Tunes às 18:05
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2 comentários:
De Joo a 19 de Outubro de 2005 às 23:10
Eu é que agradeço à Maria o seu sentido e esclarecido comentário. Eu que estou por fora, acho que também entre os crentes, os tabús devem ir caindo. E as idolatrias desfazerem-se... Bem haja pela sua companhia.


De Maria a 19 de Outubro de 2005 às 21:42
Não posso concordar mais com o que acabei de ler, embora reconheça igualmente que Fátima, como local de culto e centro de oração, já criou as suas próprias emanações místicas em nada ligadas a toda aquela encenação doentia, espectáculo de mentes perturbadas infelizmente (ainda) estimulado pelo clero mais conservador.

A Igreja Católica sempre fez do masoquismo e da mortificação do corpo, tantas vezes levada ao exagero psicótico sem ser reconhecida como tal (como se vê nos tristes peregrinos a quem convenceram que se pode trocar um qualquer favor divinal por umas voltinhas a anteceder uns joelhos esfolados, ou por uma boa caminhada a pé), seu apanágio mais evidente - basta lembrar que o símbolo mais respeitado dentro das igrejas católicas continua a ser o Cristo agonizante, em dores terríveis naquela cruz de onde há muito deveria ter descido.

Mas Fátima rende... e a ignorância idólatra continuará, para gáudio de todos aqueles a quem Fátima "dá jeito". Nem por isso (ou apesar disso?) orar em Fátima deixa de ter o seu mérito - mas, afinal, para orar e entrar em comunhão com o Divino pode fazer-se em qualquer lado... O Homem, infelizmente, ainda precisa do acessório para atingir a essência. Outros tempos virão? Esperemos... Um obrigada da Maria pelo excelente blog que aqui é feito.


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