Terça-feira, 13 de Dezembro de 2005

EMPATE DE TREMENDISTAS NA ARENA DO VIRTUAL

robot.jpg

Não tem sido fácil lidar com os mestres deste blogue. Talvez feitios, esta treta do virtual (em que as pessoas se vão conhecendo pelo teclar e que é uma forma mais mentirosa que a do poetar), estilos também, susceptibilidades e etc, mais uns pós de farinha ou de pão ralado (consoante a coisa corra para o filete ou para o panado). Sendo um blogue feito por “anónimos” (coisa que embirro, defeito meu *), tenho o privilégio de saber quem são, nome e actividade **, os três principais autores do “blogame mucho” ( o besugo, a lolita e o alonso). Afinal, saberei mais deles, estes “anónimos”, que eles sabem de mim e que dou, por aqui, nome e fotografia. O que mostra que isto do anonimato e identificação do bloganço é, também, mais virtual que real, demonstrando que discutir isto, em termos de ética de intervenção, é uma espécie de conversa de treta, a menos (!!!), que se use o pseudónimo, em blogue ou em comentário, para espetar insulto em vulto alheio e identificado.

Fiquei deveras perplexo com este post do besugo. Então, depois de obra tão bem enjorcada como aquele “post a quatro mãos” em sinfoneta “Blogame ó Água Lisa” (e que teve enorme sucesso, veja-se pelo technorati as menções, elogios e citações que teve!), depois de um projecto grandioso em que, daqui a nada, se fariam posts a quarenta mãos, o besugo desata a recuar, a recuar, e retira a proposta que tinha apresentado á Mesa do Plenário? Há qualquer coisa de “tremendismo” neste desvario de avanço seguido de recuo com medo de marrada. E eu explico (sei mais de touros que de futebol, confesso) que o “tremendismo” é doença de falsa valentia. Os “tremendistas” são bons para o público turista, os camones da “bull fight”, mas não enganam aficionados a sério. Fazem trinta por uma linha, joelho em terra, um pé na trincheira, diabo a sete, mostram a camisa ao corno esquerdo, viram as costas ao nobre e principal artista, os turistas batem palmas (ah valente!), mas o sabidão do “tremendista” nunca sai de ao pé das tábuas aproveitando o apelo do cheiro da proximidade dos curros. O matador que o é, com os tomates separados do cru (agora não falhei, besugo), puxa-o para os médios e, sem excessos nem falta de medidas, ajusta contas onde falta refúgio e apelo de piranço, onde só a arte e a coragem podem vencer o que é fatal. Baldou-se o besugo, rapidamente abandonando o projecto apresentado. Não apreciei, mas aceito.

E já agora, que estamos para aqui a conversar, digo que tenho todas as razões para desculpar o besugo e até agradecer-lhe a fífia da tremideira tremendista. É que, assim, estamos quites. De quê? Então, eu conto. O ano passado, vindo de Espanha, entrei pelo norte e resolvi ir em romagem de memória à minha terra para as bandas de Sabrosa. Passando por Vila Real, ainda dei umas voltas de encorajamento de ir lá ao Hospital onde ele trabalha e perguntar pelo doutor besugo (sabendo-lhe, como sei, o nome de registo de nascimento), podia ser que estivesse de serviço e com uma disponibilidade de cinco minutos, só para lhe mirar a frontaria facial, apresentar-lhe a minha rainha consorte (e com sorte), confirmando se a cara dele condiz com os dedos do teclar, e ver se ele me aceitava um abraço de cumprimento (e de admiração, porque escreve bem e sentido, tirando quando o fígado se porta mal e que o encharca de bílis de bazófia quando o Sporting ganha). Fui-me abaixo das canetas, deu-me a tremideira própria dos tremendistas, envergonhei-me de incomodar, imaginei enfado de decepção e zarpei para São Mateus, São Martinho de Anta, Paços, Sabrosa até desaguar no Pinhão, com um travo de cobardia na garganta. Claudiquei, foi isso.

Quites e entendidos, caro besugo. Mais um empate para as nossas contas classificativas. Fica para a próxima. O futuro é largo e muito nos vai iluminar. No final da segunda volta (fica já combinado?), beberemos juntos uma botelha valente daquele "vinho fino" do Douro (nada de mixórdias de "vinho do porto") a comemorar termos Alegre em Belém (e depois mandamos mail ao gajo a exigir-lhe que o seu primeiro acto oficial seja declamar a "Trova" da varanda do Palácio). Allez!

(*) – E se digo e mantenho que o Jumento é o melhor blogue luso, faço-o por mérito dele, como, também, pelo facto de saber quem é o artífice do Palheiro.

(**) – Claro que, nem sob tortura, trairia a confiança depositada, revelando identidades preservadas. Ainda tenho de memória (tantas vezes o decorei e o refresquei) o “Se fores preso, camarada”...
publicado por João Tunes às 16:24
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De Joo a 16 de Dezembro de 2005 às 00:02
Obrigado, alonso, pelo aviso (que suponho tenha sido obtido por portas travessas da PGR). Já deitei fora o telemóvel...


De alonso a 14 de Dezembro de 2005 às 09:53
João, se lá tivesses passado (pelo Hospital) arriscavas-te a conversa para mais de cinco minutos, sem enfado ou decepção. Não sejas tremendista para a próxima!

PS - No que me respeita, e se fores preso, camarada, podes dizer o que sabes. Eles já não torturam, só te escutam ao telefone.


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. OS VOTOS E OS RATOS

. Bom fim-de-semana

. A Guidinha é que sabe...

. SABER CONTAR

. VIOLÊNCIA SOBRE AS CRIANÇ...

. UM CRIATIVO (ou a melhor...

. PROFESSOR EGAS MONIZ

. UM PARA UM

. REVISÃO

.arquivos

. Setembro 2007

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds