Terça-feira, 25 de Outubro de 2005

HAVIA MABALANE

Wright03s.jpg

Campo de concentração e trabalhos forçados, localizado numa região desértica e desabitada a 500 quilómetros de Lourenço Marques.

Não havia camas. Dormiam em cima de esteiras e com direito a um cobertor fino.

Os presos trabalhavam de sol a sol. Saíam às 5 ou 6 da manhã e voltavam às 5 da tarde após trabalharem em plantações de arroz, batata, tomate e amendoim.

Ficou célebre o feito de rebeldia dos presos da Cela 10 do Pavilhão 3 que, em Junho de 1969, fizeram, em papel, uma bandeira da FRELIMO para comemorarem o assalto a Mueda.

(Fonte: “A PIDE/DGS na Guerra Colonial – 1963-1974”, Dalila Cabrita Mateus, Ed. Terramar)
publicado por João Tunes às 17:48
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De Joo a 26 de Outubro de 2005 às 14:42
Mais que natural ter-se estado em Mabalene (quem teria sido Pinto Teixeira para lhe trocarem o nome?) e se ter apenas uma ideia muito vaga do campo de trabalhos forçados (não era uma prisão, sejamos rigorosos, era um campo de concentração, com trabalhos forçados e sem direito a qualquer remuneração) de lá. É que o campo de Mabalene tinha uma particularidade (aliada a outras) - nenhum dos seus presos foi, algum dia, sujeito a julgamento por eventuais crimes. Entravam e lá estavam por aplicação singela de "medidas administrativas" aplicadas pela PIDE (ou seja, a PIDE não os considerava "recuperados" para a "ordem racial e colonial" e isso bastava). Mabalene tinha ainda outras particularidades - albergava homens, mulheres e crianças, todos pretos e pretas, muitos deles transferidos para ali por entrega da Boss (similar da PIDE, à sul africana) que os arrebanhavam no Malawi, sequestravam-nos nos refúgios de populações moçambicanas fugidas da tropa colonial, depois entregavam-nos à PIDE que os depositava em Mabalene. Por todas as razões - não tinham pena a cumprir, a lei era a da PIDE, tinham sido raptados em território estrangeiro - como podiam "existir" os presos de Manbalene? Nunca houve o "campo de Manbalene", quando muito houve dele uma vaga ideia porque o campo, mesmo em termos de "legalidade colonial", sempre foi virtual. Obrigado pelo depoimento.


De Carlos a 26 de Outubro de 2005 às 02:28
Estive em Mabalane, antes vila Pinto Teixeira. Teria 14 ou 15 anos, e o (então) meu cunhado trabalhava lá nos caminhos-de-ferro e a minah irmã era professora. Tenho uma ideia vaga, muito vaga, da existência da prisão. Na semana que lá estive foi-me dado o melhor que tinham para me dar: cinema e futebol de salão no clube, por uma vez uma saída nocturna para um cheiro de 'caça'. E algumas bebidas alcoólicas "clandestinas" no bar do clube. Saí de lá com a ideia que era uma terrinha no meio de nada, e que nada lá se passava. Disto, que referes, soube-o mais tarde. Bem mais tarde. Tinha 14 ou 15 anos.


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. OS VOTOS E OS RATOS

. Bom fim-de-semana

. A Guidinha é que sabe...

. SABER CONTAR

. VIOLÊNCIA SOBRE AS CRIANÇ...

. UM CRIATIVO (ou a melhor...

. PROFESSOR EGAS MONIZ

. UM PARA UM

. REVISÃO

.arquivos

. Setembro 2007

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds