Quarta-feira, 26 de Outubro de 2005

NEM SEMPRE É PRECISO SALTAR A HISTÓRIA

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Valente Rosa Parks, a heroína da dignidade negra agora falecida, a célebre costureira negra que se recusou a ceder o seu lugar num autocarro a um passageiro branco que o exigia como direito de superioridade de raça.

Muita celebração houve por quase tudo quanto é sítio. Pois, Luther King. Pois (bis), a KKK. Pois (tris), filha da puta dessa América, pátria do Mal. Abaixo o racismo. Ámen e avante.

Mas, afinal, não era preciso viajar tanto Atântico para alimentar a indignação. Não era necessário sair de dentro da nossa história recente. Da nossa pele de portugueses. Bastava ler o Machado Graça, jornalista moçambicano, dizer aqui (num blogue paradigma da decência descomplexada):

«Também em Lourenço Marques, quando eu era miúdo, os negros só podiam sentar-se nos dois bancos de trás dos machimbombos. Os outros bancos eram de dois lugares mas os tais para negros eram bancos corridos onde se podiam apertar várias pessoas.
Quem vier com a conversa de que os portugueses nunca foram racistas está a mentir e eu vivi os meus primeiros anos num sistema que nada diferia do apartheid sul-africano»


Se calhar, a grande diferença entre o racismo Laurentino e o racismo em Alabama no tempo de Ana Parks, é que lá, onde fomos KKK á portuga, Ana Parks levantava-se mesmo e Luther King não teria pregado os seus sonhos e deixado as suas sementes para depois morrer com uma bala cobarde, porque nunca teria visto a luz do dia fora de Machava.

Mas, voltando ao que interessa e é celebrante, curvo-me respeitosamente perante a memória de Ana Parks. Com certeza.
publicado por João Tunes às 16:09
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4 comentários:
De Nuno a 27 de Outubro de 2005 às 09:42
Excelente post. Podemos também trazer à liça o famigerado Acto Colonial (não foi há tanto tempo assim).


De IO a 26 de Outubro de 2005 às 23:48
AH AH AH!! - abraço, oh 'púdico em busca da santidade'!, fantástico!!, IO.


De Joo a 26 de Outubro de 2005 às 23:16
Fala á vontade, IO, um palavrão pode ser um reforço de escrita insubstituível. Até eu, um púdico sereno em busca da santidade, procuro não abusar mas às vezes não os evito. Força!


De IO a 26 de Outubro de 2005 às 22:10
É, realmente, interessante ver como há quem só saiba ver o mal dos outros!... será que o racismo cega? - ou, feitas as devidas traduções, pode arriscar-se recorrer àquela do "as mulheres são todas umas p... só a minha mãe é que não"?..., i.e. os americanos, os ingleses, os franceses, etc.&tal são todos racistas, os portugueses é que nunca o foram - desde já as minhas desculpas pela linguagem utilizada e um Abraço ao João, IO.


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