Terça-feira, 1 de Novembro de 2005

DÚVIDA ENCENADA

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A chamada “dúvida demagógica”. E de borla. Feita de conversa de desentendido representado. Como se a regeneração da vida partidária tivesse de ser feita (só) por gente que sempre tenha vivido fora dos partidos. Partidos entendidos como realidades rígidas que ou mandam ou se quebram.

Só pode ser desespero exausto de se ver que, além dos bonzos, existe vida política, desejo de intervenção e vontade de mudar, participando, confiando.

Este desejo de mudança do sufoco dos espartilhos e inércias partidárias, não é sequer novidade. O que se assiste com a candidatura de Manuel Alegre, este fluxo temperador de criação de uma alternativa, não contra os partidos mas além dos partidos, já se viu (nem sempre por boas razões, nem sempre com bons resultados) desde o início da reificação partidocrática:

- Nas presidenciais, com Otelo, Maria de Lurdes Pintassilgo e Salgado Zenha;

- Nas parlamentares, com o PRD e com o Bloco.

E, se formos para as autárquicas, exemplos não faltam de como o eleitorado, cada vez mais, premeia as listas de “independentes” face às listas partidárias.

Nesta eleição, teremos os mais fiéis aos seus partidos a votarem Soares, Cavaco, Jerónimo e Louçã. Mas toda a esquerda que se quer livre para construir uma esperança de esquerda, tem Manuel Alegre, um homem de partido, capaz de colocar os valores e as esperanças da esquerda fora dos caixilhos dos partidos. E que não vai à luta para treinar, fazer manutenção com ginástica sueca, mas para ganhar. O que surpreende e irrita uns tantos, aqueles que, quando muito, davam como missão ao Poeta ser símbolo e daí não passar, não contando com a onda de adesão dos que se levantam contra o "status quo" de um jogo combinado, com vencedor e vencido previamente estabelecido. Porque, é evidente, nenhum amigo ou admirador de Soares, entre os sinceros, o sujeitaria à violência de um mandato de cinco anos, reservando-lhe uma missão de aguentar mais uma campanha de que sairia com a sensação de "derrotado mas feliz pelo dever cumprido". Coisa de que Soares não necessita no seu currículo de democrata jubilado.

Adenda: No seu contraditório legítimo, o WR demonstra que não é um demagogo. É, apenas, um homem de má fé. Agarrou nos exemplos que dei, de que ressaltei o impulso do eleitorado para saltar fora do espartilho partidário, mas que não valorizei e até meti o parêntesis "(nem sempre por boas razões, nem sempre com bons resultados)", para ir por aí fora desancar nos casos, fugindo à substância. E, sobre o País, o WR mostra que sabe onde fica Amarante, Felgueiras, Gondomar e Oeiras, mas nunca ouviu falar de Sabrosa ou de Redondo. Não julgava que Soares merecesse este tipo de "soarista". Sei lá, talvez, problema dele.
publicado por João Tunes às 16:28
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