Sábado, 17 de Dezembro de 2005

OS VOTOS E OS RATOS

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Não sou rato. Nem rato branco, nem rato castanho, nem rato negro. E se gosto de queijo, um pedaço de queijo não me vale a alma. Muito menos, me vale o sono. E quem mal dorme, doença de alma tem.

Mesmo que Alegre obedecesse a Jorge Coelho, espetando uma seta de queijo a mandar-me votar em Soares, eu não lhes obedecia. Porque não sou rato. Estou com Alegre, não estou com Coelho, não obedeço nem a Alegre nem a Coelho. Muito menos, estou com ou obedeço a Soares.

Soares, com o PS, fez uma das campanhas mais miseráveis a que assisti. Soares, conhecedor da sua fragilidade de agora, armou-se em avô consuetidinário da esquerda e do socialismo. Mostrou o pior que há em Soares – a arrogância, o peso espúrio do seu séquito, a vaidade inesgotável, o conceito da política para si. E repetiu, com Alegre, o que havia feito com Salgado Zenha – que é homem para quem a amizade é instrumento de poder e, se o amigo não o for, por a isso não se prestar, é capaz de virar costas e atacar o melhor amigo de ontem. O PS, o pior do PS, a parte estalinista do PS, tentou disfarçar a sua péssima escolha de candidato, em ímpetos autoritários e de intolerância, descarregando sobre o bode expiatório da rebeldia republicana e cidadã (uma das componentes nobres do PS), o seu ímpeto controleirista perante uma escolha que, na sua essência, é unipessoal e não partidária.

Julgo que Alegre não seja homem para obedecer a Jorge Coelho (e aos outros da mesma orquestra). E que vamos a votos. Para ganhar ou para perder. Pensando em ganhar, até ao entornar das vontades nas urnas. Mas se Alegre, dando-me a tristeza da desilusão, resolvesse obedecer a Coelho, eu não obedeceria a Alegre. Porque não mais serei capaz de votar em Soares. Nem sequer para a minha junta de freguesia. Porque não sou rato, nem branco, nem castanho, nem negro.
publicado por João Tunes às 17:23
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2 comentários:
De Maio a 18 de Dezembro de 2005 às 07:32
Com Alegre até ao fim, decididos e unidos!
(...)
Mas nós não desistiremos. Iremos com Alegre até ao fim, decididos e unidos!

E acreditem, como dizia Sérgio Godinho,

"que não sou o único que acho
que a gente o que tem é que estar unida,
unida como as uvas estão no cacho."


De IO a 18 de Dezembro de 2005 às 01:40
Exactamente, eu também não quero porcaria e ninguém vai seguir o bronco do Coelho e vamos todos ao tira-teimas, apoiado: VIVA a segunda volta, que tem que haver!!, abraço democrático, IO.


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