Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

GUINÉ-BISSAU

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A situação na Guiné-Bissau está difícil e tumultuosa. E não parece que amaine e se clarifique com facilidade.

Nada que não se previsse. A vitória de Nino Vieira nas Presidenciais contra o PAIGC, criou uma impossibilidade de coexistência entre Nino e o seu antigo Partido. Para mais, o PAIGC cindiu-se na campanha e uma parte (incluindo um elevado número de deputados) escolheu Nino contra o Partido. Esta fragilização do PAIGC foi uma oportunidade oferecida ao Presidente para levar ao que lhe interessa (agora) – ou domestica o PAIGC para que ele volte a ser um seu intrumento partidário ou vai procurar esfacelá-lo para integrar uma parte dos restos numa nova formação partidária integrando outros apoiantes.

Que hipóteses tem o “velho” PAIGC (agora anti-Nino e o que resta das ruínas deste partido) para resistir e sobreviver? Sendo certo que o primeiro-ministro deposto criara, ele também, uma situação de total insustentabilidade de coexistência com Nino na Presidência?

E o que ganharia a Guiné-Bissau no prolongamento de uma partilha de poder entre dois inimigos políticos irreconciliáveis? A co-habitação, por muitos reclamada, era um adiamento corroído da crise, em que o Estado (já de si estruturalmente fragilizado) perderia qualquer capacidade de rumo, com as energias e recursos ao serviço progressivo da dualidade conflituosa dos poderes presidencial e governamental até que as armas dos militares voltassem a decidir por um dos lados. Assim, não passaria de uma ilusão e um acentuar da doença.

No quadro saído das últimas eleições, só se vê como melhor saída a convocação de novas eleições parlamentares, sobretudo destinadas a aferir o que é e o que vale o PAIGC, depurado da sua crise interna. Teimar na conflitualidade formal entre legitimidades só prolonga e agudiza a crise. E não adianta dizer cobras e lagartos de Nino, ele é o Presidente eleito. E quanto ao PAIGC, falta saber o que lhe sobra e hoje representa.

Imagem: O novo primeiro-ministro da Guiné Bissau, Aristides Gomes (foto tirada daqui)
publicado por João Tunes às 17:24
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3 comentários:
De Joo a 4 de Novembro de 2005 às 16:48
Obrigado pelos comentários. A conversa segue num outro post.


De Eugnio Costa Almeida a 3 de Novembro de 2005 às 19:20
É possível - e as fontes credíveis assim o afrimam - que o PAIGC perdeu um elevado número de deputados; mas também as mesmas fontes referem que os outros partidos também o perderam e que nas contas deve/haver o PAIGC terá ganho (porque esses independentes terão afirmado que iriam apoiar o voto de confiança) mais dois ou três deputados.
É também por isso que na Guiné-Bissau alguns pensem que Nino terá despoletado a queda com medo que o voto passasse.
Tudo conjecturas. A realidade é que o país está numa encruzilhada que nada augura de bom.
A ver vamos. Ou como alguém escreveu hoje num comentário num apontamento meu sobre a tomada de posse, é - ou será - mau presságio ter nomeado e empossado no dia dos Finados ou Fiéis Defundos: para essa pessoa devem ser os espíritos dos que morreram na guerra de Nino quando chamou os senegaleses que o devem estar atormentar.
Um abraço
Eugénio Almeida


De C.Indico a 3 de Novembro de 2005 às 18:56
Tenho um sentimento que estamos a assistir a um PRENÚNCIO DE GUERRA CIVIL. Num país africano, nenhum militar ter assistido á tomada de posse?
Os Militares, a par das Igrejas, são as únicas organizações Nacionais. Os civis não existem como entidade nacional.


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