Segunda-feira, 7 de Novembro de 2005

FALTA NO ALTIS

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Claro que não estive no Altis na apresentação do Manifesto Eleitoral de Manuel Alegre. Era lá capaz de ir para uma turma de aplausos, meterem-me uma bandeira na mão, mostrar que estou com o agora Poeta e futuro Presidente e sentar-me entre tanta gente célebre, cortando-lhe as palavras com entusiasmos ritmados saídos das mãos de claque. Nem pensar. Se me desse para ir ao Altis, sentiria, no meu íntimo, que deixava de ter razão para apoiar Alegre. E eu apoio Alegre. Já disse que sim e é para ir até ao fim, à vitória.

Ouvi Alegre falar no Altis, no intervalo das palmas do Altis, no carro a ouvir a TSF. Solitariamente. Encostei o carro, parei e fiquei-me a ouvi-lo. Além das palmas, e dos “resumos” rídiculos do repórter, deixei-me ficar a escutar-lhe as palavras, na esperança que se saísse bem, que dissesse as palavras necessárias. Palavras que ficassem além das palmas, das bandeiras e do Altis. Que fossem capazes de responder, incendiando esperança (não quimeras), à frouxidão relapsa com que a alma de esquerda, minha também, desaprendeu de dizer e de sonhar. Desejando um ímpeto de resposta ao cinzentismo do candidato Revisor Oficial de Contas, esse profissional político agora mandatário de todas as ronhas de direita, mostrando que a economia é obra de um povo a acreditar, nunca uma fatalidade que nos tem de governar. E que mostrasse, não por agressão mas por comparação, que o populismo é um negócio de mero ganho especulativo que leva à chama sem fogo, como estão gastas e falidas as respostas revivalistas, do tom rosa velho até ao vermelhão cubano ou trotsquista, geradas pelos velhos partidos da esquerda velha e neo-velha.

Gostei. Confirmei que Alegre bateu nos pontos certos, nos equilibrantes e nos mobilizadores. E falou com convicção, nos tons da esperança e do combate. Dando sinais claros que o combate pela frente não é uma cavalgada romântica, é uma luta para ganhar. Pela esquerda, pois claro. Contra a direita viva, passando ao lado da esquerda cansada. E lembrei-me, problema da idade, de quando o ouvia, baixinho e com cuidados, não no carro mas na noite longa que parecia não ter fim, a incendiar-nos a esperança de que o fascismo tinha termo, tinha de ter. E eu, outra vez, aqui e em democracia, com rádio alto, sem pides, a beber-lhe palavras de esperança e de luta. Tanto mudou, tão necessário Alegre nos continua a ser.

No final, apeteceu-me rumar ao Altis. Não fui. Era lá capaz de ir ao Altis... Assim, agradeço aos que lá estiveram e também fizeram a festa por mim.
publicado por João Tunes às 01:24
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1 comentário:
De Eugnio Costa Almeida a 8 de Novembro de 2005 às 00:49
Meu caro João Tunes.
Como sou insuspeito posso dizer o que digo sem que com isso me possam considerar alegrete.
Gostei da entrevista de Manuel Alegre na TVI; diga-se dos dois foi o que melhor se comportou: calmo, ponderado, objectivo quanto baste, meis-palavras quando a isso era obrigado... num todo gostei. E cada vez mais acredito que numa eventual segunda volta será o candidato com melhor condições a entrar em Belém.
Cumprimentos
EA


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