Sábado, 12 de Novembro de 2005

CANDIDATO PARA CAMPANHA

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Só consigo entender que tenham ido incomodar Mário Soares, afagando-lhe o ego, para ele se candidatar, na presunção comum de que as eleições estavam definitivamente perdidas para Cavaco. E que, daí não vindo mal ao mundo, antes pelo contrário, havia que salvar a honra do convento rosa, não deixando Cavaco solitariamente desarvorado, estrada fora, rumo a Belém. E, quem sabe, o argumento decisivo para perturbarem as sestas da honorável e veneranda reserva moral - republicana e socialista - tenha sido a constatação óbvia de que o esforço pedido era só de “mais uma campanha” e que não havia riscos de ser forçado a cumprimento de cansativo e trabalhoso mandato. Para mais, sabendo-se como se sabe, que tempos difíceis vêm aí e a exigirem boa ginástica de magistratura, muitíssimo mais exigentes que os mandatos já cumpridos. Mas isso seria para outros músculos, malta mais nova, de punhos firmes, Cavaco e Sócrates, os prontos para as curvas e contra-curvas de meterem as contas e os cintos em dia. Ter estaleca para aguentar até Janeiro, enfim, sempre se dava um jeito.

A entrada de Alegre, e o seu efeito, baralharam os dados. Hoje, nota-se, ao objectivo inicial da candidatura de Soares, somou-se uma outra, passando a prioritária – poupá-lo, e ao PS, de sofrer a humilhação de ficar-se atrás do “outsider” da mesma área. O que tornaria, além do mais, um absurdo abusador terem, para isso, ido incomodar Soares. E, assim, não espanta que a candidatura soarista tenha virado o rumo de fazer fogo de salva sobre Cavaco para se virar contra o alvo que desnuda a fragilidade pseudo-esperta de se contruir um “candidato de campanha” numa espécie de “luta combinada”.

Os humores com as várias sondagens demonstram estas evidências – enquanto para a campanha de Alegre, o objectivo é conseguir uma “segunda volta” e aí ganhar; para os apoiantes de Soares, o importante é a honra do “segundo lugar” e Belém que se lixe. Belém e nós.
publicado por João Tunes às 17:07
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3 comentários:
De RN a 13 de Novembro de 2005 às 02:10
Meu caro acho esta tua análise errada o que num arguto e fino analista como tu só entendo por teres privilegiado o coração à razão. Bom talvez haja casos avulsos que possam dar pretexto à tua conclusão: a de que a candidatura de Soares ( a decisão dele e a de muitos outros incluindo a minha opinião e platónica "proposta" em 14 de Junho)era para perder. Então o homem aos 81 anos depois da sucessão de sucessos políticos ia agora esforçar-se para terminar a sua carreira política com uma humilhante derrota ante um adversário muito especial o ex-1º M, na convicção de que ia perder? Claro que perder é à partida uma hipótese mas a decisão de candidatar-se não podia deixar de ser na convicção de que talvez consiga ganhar.
Francamente não percebo o teu raciocínio. E não vejo em que dados os fundamentas.
É evidente que ele, outros seus apoiantes, eu e muita outra gente se pode enganar. Por mim falo. Em Junho, e antes, quando Guterres foi para alto comissário e ficou definitivamente claro que não seria candidato, e que a seguir António Vitorino recusou candidatar-se o PS não tinha nenhum candidato que pudesse, com um mínimo de esperança de vitória, enfrentar Cavaco. Soares pareceu e, apesar da sua pouca aceitação por enquanto, parece a muita gente o único candidato capaz de vencer Cavaco. Porquê? Porque é um candidato mais aceitável pelo centro/centrão que o Manuel Alegre (que além do mais não tem características pessoais que deixem antever um bom desempenho no cargo, mas isso é opinião minha e de mais uma vintena dos seus apoiantes na corrida à liderança do PS).
Meu caro não está na cara que MA por ser tido como mais à esquerda do que MS não recolherá votos do centro (aqueles que votam ora PS ora PSD) que poderão (se isto da idade não atrapalhar em demasia)ir para o Soares mas não irão em caso algum para MA?
Não se trata de saber se MA é melhor ou pior para a esquerda do que MS. Já toda a gente conhece razoavelmente cada um deles de modo que o melhor não é o melhor política ou ideológicamente, melhor é o que tenha condições para ganhar a Cavaco. Isto, é claro, partindo do princípio que estamos a falar de quem prefira Soares a Cavaco.
Um abraço.


De Joo a 12 de Novembro de 2005 às 20:44
E eu gostei do seu comentário, caro Evaristo. A sério, riquíssimo em argumentos. Tanto que quiz ir à caixa de comentários do seu blogue, felicitá-lo. Não consegui. Tentei, tentei e ... desisti (porque não consegui). Aqui fica a nota pela alegria de aqui o ter em "antena cavaquista extra". Esteja à vontade, aqui há e haverá espaço para o contraditório (com limites de educação e ética, que no seu caso, caro amigo, nunca se pisam). Abraço.


De Evaristo a 12 de Novembro de 2005 às 17:27
Gostei da análise à situação, e do resultado da mesma. De facto a procissão ainda agora vai no adro, e podemos estar descansados porque iremos ter muitas surpresas ao nível dos discursos e dos ataques pessoais... Vamos ter, definitivamente, "uma campanha Alegre"! Um abraço.


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