Sexta-feira, 25 de Novembro de 2005

FEUDO DA MESQUINHEZ

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Uma autêntica mesquinhez intelectual, no mínimo, aquilo que alguns defendem – a inibição dos não católicos de falarem dos decretos papais e sobre eles opinarem. O artigo de hoje de VPV no “Público” é bem exemplo desta indigente tentativa de censura sobre a opinião.

Como se a religião católica fosse um feudo privado de práticas religiosas dos seus crentes, cabendo-lhes a eles, os católicos, só a eles, os católicos, pronunciarem-se sobre os seus “assuntos internos”. Quando toda a gente sabe que a Igreja Católica, falando do caso português, não só marca a nossa história e cultura, os nossos usos e costumes, como o próprio regime. Uma Igreja que se fundiu com o fascismo lusitano e deu ideologia ao Estado Novo. Uma Igreja que tem inúmeros colégios, uma Universidade, uma Rádio (perdeu a Televisão por suposta má gestão), continua a gozar de inadmissíveis privilégios herdados e não extirpados, só admissíveis em estados confessionais. Uma Igreja para a qual são carreados fundos dos contribuintes – pagando-lhes ordenados e despesas aos seus capelães (nas Forças Armadas, nas Prisões e Hospitais) para que continuem a usufruir do monopólio de uma profissão de fé. Em que, para a construção de novas igrejas e outras instalações religiosas católicas, as autarquias continuam a contribuir generosamente. Uma Igreja que, quando faz uma procissão, mete militares, bombeiros e polícias, em serviço de teatro do culto.

Obviamente que os laicos não se metem nas ladainhas e nos procedimentos de culto, se devem continuar com o “padre-nosso” e a “ave-maria”, mas uma força institucional com a enorme (e desproporcionada) presença que a Igreja Católica apresenta na sociedade portuguesa, mostrando a par e passo que a vontade é aumentar privilégios e não encolhe-los, tem de estar exposta à opinião e à crítica. Sobretudo quando discrimina, continuando a discriminar, quando procede em litígio com os princípios constitucionais do regime. Se a natureza monárquica, autoritária e passadista do Vaticano e das suas delegações colidem com as normas das sociedades democráticas, todos os cidadãos têm o direito e o dever do protesto. Porque deve ser a Igreja a adaptar-se à democracia e não o contrário. Por outro lado, se a Igreja tem direito a propagar a sua fé e as suas crenças, os agnósticos e os ateus têm o mesmíssimo direito de combater, no plano das ideias e da opinião, os sofismas, as contradições e as abencerragens da propaganda papal.

Tão simples como isto: se a Igreja procura influenciar a sociedade, e procura isso com todas as suas energias, a Igreja “socializa-se”. Logo, a sociedade tem todo o direito em reagir, concordando ou discordando.
publicado por João Tunes às 13:04
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2 comentários:
De Lorena a 3 de Janeiro de 2008 às 04:22
Olá!
Pude ler alguns depoimentos desta pagina...
E gostaria de manifestar minha opnião.
Sou brasileira, tenho 21 anos, gosto de política, sou católica e estou me formando na faculdade.
Quando li tudo isso, me vieram muitas coisas a cabeça... Poderia levantar vários argumentos que prolongariam o debate, no entanto venho somente para perguntar se você (João, não é?) conhece a Cristo? Gostaria muito que tivesse a oportunidade de conhecê-Lo, porque seriam bons amigos!
Sou uma pessoa questionadora, inquieta e que anseia por liberdade e justiça, acredito que vc seja um pouco assim tambem!
Por isso te peço, se dê essa oportunidade! Aposto todo o sangue do meu corpo, não se arrependerá!
É bíblico, para aqueles que não conhecem a Cristo, tudo é loucura, mas para os que tiveram uma experiência com o Ressucitado que passou pela cruz, é sinônimo de VIDA ETERNA.
Paz de Cristo e a protenção de Maria, sempre Virgem!
Abraço
Lorena


De M. Conceicao a 25 de Novembro de 2005 às 16:37
Obviamente, João.


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