Sábado, 29 de Outubro de 2005

SALVÉ SANGUE AZUL !

coroa.JPG

Julgo que não tem qualquer base de sustentação o temor do Eugénio Costa Almeida, depois de publicitar este artigo, rematar que se considera ”pronto para levar toda a tareia que acham conveniente, assumindo, na íntegra, o que escrevi. E sei que haverão algumas pessoas com vontade louca de me açoitar...”.

Ó homem, (infelizmente) a Carbonária já não existe. Restam por aí, espalhados, um ou outro republicano e exemplos esparsos de jacobinismo, homens das cavernas também, de arejados há várias amostras, mas democratas, democratas, somos todos. E os que ainda não são, lá chegarão.

Monarquize-se à vontade, caro Eugénio. Tanto que, em vez do que supunha ter forma de açoite tem, afinal, a figura de prenda de estima, embora com pinta de pechibeque (mas a bolsa não deu para mais), aqui pendurada e que julgo lhe ficará a matar numa cerimónia em que o seu uso se justificar.
publicado por João Tunes às 18:29
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MAIS UMA VEZ... (quantas mais?)

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Há mau tempo pela Guiné-Bissau. Nino e PAIGC à pêra (nada que se não esperasse). A acompanhar com a ajuda do Jorge Neto que, entretanto, recuperou a ligação á internet.
publicado por João Tunes às 17:56
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PARABÉNS A VOCÊ

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Estúpida forma celebrante teve o tonto perigoso que é Presidente do Irão para celebrar os dois anos de um dos mais consensualmente considerados blogues lusos – o refinado ”Rua da Judiaria”.

Não era necessária tanta bravata cavernosa, mesmo com a vaidade arruaceira de quem tem uma bomba atómica novinha em folha metida no turbante. É que, nem mais nem menos, chateado com o sucesso merecido do Nuno Guerreiro, o Grande Chefe Persa ameaçou, de uma penada, “riscar o Estado de Israel do mapa”.

Claro que, numa hipótese de escolha, estarei sempre com o Nuno e sempre contra a psicopatia fundamentalista (seja ela, islâmica, cristã, israelita ou outra).

Depois de ter começado a ler o blogue do Nuno, confesso que, cada vez que visito uma sinagoga, onde quer que seja, procuro-lhe, no silêncio dos cultos pressentidos, na decoração austera, nos gestos pausados do rabino, entender a sabedoria serena que inspira a persistente revelação da rica cultura judaica e com que ele, Nuno, tijolo a tijolo, vai deitando abaixo os nossos muros dos preconceitos anti-semitas (herdados e consolidados, pelo menos desde a Inquisição).

Há coisas que o Poder não sabe e nunca vai saber. Que um blogue de cultura sábia tecido com teclas serenas, vale mais que mil turbantes enrolados em urânio enriquecido. Parabéns, Nuno.
publicado por João Tunes às 17:44
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PROJECTINHO

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Recebo, embrulhado em forma de mail, esta mensagem que transpira sinceridade e cumplicidade:

“Não tenho o prazer de te conhecer pessoalmente, mas quase que te conheço. Acompanho o agualisa desde que o descobri. Já não me lembro como, mas foi uma boa descoberta.”

Calejado, ácido sob desculpa de tentar compensar o lado ingénuo, virulento pela busca de uma boa conversa que não seja de treta, saudoso de fraternidades inteiras, farto de fraternidades a meia haste, ficam-me duas sensações ao ler esta mensagem: a possibilidade de, através da internet, abraçar um mundo bom engavetado nos seus esconsos; o incómodo de me expor em demasia, despindo-me em público, mostrando-me.

Vou já falar com o meu psicanalista. Primeiro, vou arranjar um, depois marcar-lhe consulta. Claro que isto não é um projecto, vale apenas como projectinho.
publicado por João Tunes às 16:48
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SIDONISMO ABRANGENTE

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Como Cavaco mudou de gravata, suspendeu-se no partido, procura que se esqueça o que foi e é, este Cavaco de campanha é um género de papagaio a falar pelo dono escondido, enfim um candidato de plástico, em que o nariz não corre o risco de crescer, crescer.

Não é de esperar que se descubra Cavaco atrás do candidato Cavaco. Alguém lhe terá dito que uma boa campanha, mais vitória certa, seria um tabu seguido de um work-shop no Actor’s Studio, com um estágio pelo meio num Museu de Cera.

Restam-nos, pois, os “cavaquistas”, para sabermos, pelo menos, porque nos querem impingir Cavaco. Por exemplo, ler assim:

“Tendo começado pelo Centro Cultural de Belem, obra emblemático dos tempos em que Cavaco Silva foi primeiro-ministro de Portugal, o agora candidato à PR foi até à Invicta Cidade para apresentar ao país o seu manifesto de candidatura, justamente no nobre edifício da Alfândega do Porto. Como homenagem ao trabalho e à riqueza criada naquela região nortenha, mas tambem ao espírito empreendedor e ao dinamismo que as suas gentes sempre mostraram. Sabemos agora com o que podemos contar. Com um candidato que vai esforçar-se "para que a seriedade, a honestidade e a transparência imperem na política". Para acabar com a oratória desbragada, a verborreia populista e eliminar, definitivamente, "a má moeda"... Para que os "cidadãos sejam mobilizados para uma participação mais intensa e exigente na vida cívica". Para que "aqueles que servem a causa pública em lugares políticos sejam vistos pelos cidadãos como honestos, competentes e rigorosos".”
(...)
“Para sair desta crise, os portugueses precisam ser optimistas, ter confiança e trabalhar noutros moldes. É preciso uma mudança. No discurso dos políticos, mas tambem na mentalidade dos portugueses. Para isso conta muito a imagem do novo Presidente da Repúlica: austero, grave, rigoroso. E Cavaco Silva possui estas qualidades, umas vezes severo outras vezes atencioso e humilde, mas sem perder a nobreza inerente à função de professor académico. Claro que as elites urbanas têm dúvidas, não gostam de estranhos, daqueles que não são da sua casta, que subiram na vida a custo de estudo e trabalho. As élites gostam de gente de "boas famílias", com nomes sonantes, ligados à "indústria" ou à alta finança, pois hoje não se pode falar em descendentes da Casa de Bragança, nos Lorenas ou nos Quintanilhas... E Cavaco Silva, é apenas um Silva. Mas fala de cátedra!... Ou não é ele um homem do nosso tempo, um produto do republicanismo?”

(pescado aqui)

Eu cá por mim, não é por nada, mas acho que o estimado companheiro Evaristo nos anda a gozar –nós outros, seus devotados leitores - e que nem um perdido... Se assim é, viva o humor! Caso contrário, não é Fernando Pessoa quem quer (ou seja, como ele quando amou Sidónio, o Presidente Rei).
publicado por João Tunes às 00:47
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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2005

PORQUE SERÁ?

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Porque será que uma das “estrelas blogosféricas” anunciadas como um dos autores deste super-blogue, Vital Moreira, ali metido entre vários “barnabés”, acabou por resumir a sua participação a um puxão de orelhas ao canibalismo anti-Alegre que ali floresceu no princípio, mais umas singelas chamadas de ligação aos seus artigos no “Público”?

Pois, o historial de decência e respeitabilidade do professor-comentador tem pergaminhos a preservar. Honra lhe seja feita por isso. E o certo é que os blogo-companheiros traquinas e eticamente desbocados, às vezes, até lhe têm respeitinho, o que é coisa bonita de se ver (ler).
publicado por João Tunes às 23:37
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VENHA A CATEQUESE OBRIGATÓRIA...

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“Diante do derrubar dos valores tradicionais que no passado constituíam referências orientadoras, corre-se o risco de deixar os mais novos sem saberem por que critérios se hão-de nortear. Noutros tempos, havia certezas legadas pela cultura dominante e por instituições fortes, como a Igreja. Mas hoje parece que já nada se impõe como valor indiscutível. Em que se transformará o sentido da responsabilidade, se este não se apoiar em certezas sólidas que justifiquem a adesão interior? Como é possível formar para os valores, num tempo em que todas as opiniões se chocam e numa cultura em que há o sentimento de que a verdade não existe em parte nenhuma?” (aqui)
publicado por João Tunes às 22:59
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IVG

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Muito bem. Há regras bases que, se traficadas, fariam perder a essência da substância democrática. Por muito que doa. Muita até que que seja a dor de ver a formalidade tranformada em essência da Lei por parte dos excelentíssimos juízes do tribunal constitucional. Magoando sobretudo a demora na correcção de uma iniquidade prolongada, embora com prazo marcado.

Um espírito minimamente saudável na interpretação do jogo democrático nunca poderia, custando votos ou revoluções, querer ganhar na “secretaria” da maioria parlamentar, a emenda de uma opção antes tomada por referendo.

Os opositores da decisão do PS – o PCP e o Bloco -, quando entendem que têm razão porque acham justo, substituiriam, em honra a Lenine e a Trotski, a consulta popular pela sapiência vanguardista de um “Comando da Revolução” ou por uma marcha de garinas, mostrando barrigas nuas e sem estrias, com a tatuagem infame (por irresponsável) do “aqui, mando eu”. Isso diz quase tudo sobre eles. Quanto à sua contenção, isso é obra democrática dos democratas.

Um Olé, pois, para Sócrates, quando afirmou sem papas na língua:

“O PS decidiu apresentar de novo na Assembleia da República a sua proposta de referendo logo que isso seja juridicamente possível, isto é, em Setembro de 2006.”
publicado por João Tunes às 22:23
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COCOS CONTADOS?

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Poderá parecer-te que está no papo. Através das mudanças de falas e de pose. E do esquecimento do estado em nos deixaste depois de nos governares anos a fio. Que já levas avanço tamanho que ninguém te apanha. Que a teu favor joga a pluraridade tão plural dos outros concorrentes. Mas talvez não escape, mais cedo ou mais tarde (espera-se que a tempo), a matreirice de fazeres parelha combinada, não explícita, até negada, mas que se cheira como desejada por ambos, com o actual Primeiro a olhar de cima para os cidadãos e com neurónios só para as contas e nenhum livre para espicaçar a esperança.

Ao contrário do que talvez julgues, isto não vai ser tão fácil como subir por aí cima apanhar cocos.
publicado por João Tunes às 18:34
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FORAM SÓ 46

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Só morreram 46 militares portugueses na operação de retirada do quartel de Madina do Boé na Guiné (local onde, mais tarde, em 1973, o PAIGC declarou a independência da Guiné-Bissau). Talvez pelo baixo número em perdas humanas, foram só 46, ou por ter sido há muito (princípio de 1969), o facto está arquivado na irrelevância do esquecimento. Como bem diz o Luís Graça:

“Madina do Boé foi varrida do mapa da memória dos portugueses, excepto muito provalvelmente no nosso caso, ex-combatentes. A geração dos nossos filhos e netos não conhece esta pequena parte da nossa história do Século XX. Madina do Boé não lhes diz nada, a não a ser talvez o termo bué, que nada tem a ver com Madina do Boé."

(Transcrição e imagem tiradas daqui.)
publicado por João Tunes às 17:27
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