Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005

QUE VENHA ALEGRE

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Bati-me por ela, e festejei, a maioria absoluta deste governo. Porque Santana estava a levar a loja à insolvência. E uma maioria relativa e prisioneira de populistas, seria mais um impasse a levar direitinho à mão pesada da direita recomposta. Por outro lado, a vitória de Sócrates, da forma como foi, representava e representou a sua absoluta responsabilização. Assim, não há espinhas nem para governar nem para se desculpar com bloqueios.

O governo não me surpreendeu. É tão mau quanto esperava. Previsivelmente, péssimo a gerir - e plantar - hostilidades, como incapaz de lançar um projecto que mobilize, entusiasme, envolva, dê energia pela confiança e pela esperança, congele a marcha imparável para que este país aumente o fosso que separa os muitos ricos dos muito pobres, enquanto as camadas médias definham. Mas, desta forma, aos populismos, se lhes sobram ruas e manifes, falta-lhes o poder de chantagearem e criarem becos-sem-saída. Tudo mais que previsto, não sobra nem entuasiasmo algum de apoio, nem desejo de penitência pelo modesto contributo para que assim seja. De qualquer forma, o governo governa, os populismos cansam-se, a direita meteu a viola no saco. Qualquer outra hipótese, entre as alternativas eleitorais em vista, seriam bem piores. Assim descanso a alma do meu pecado eleitoral.

Uma vitória de Cavaco seria levar Sócrates e este governo para o pior que são capazes. Uns e o outro. Iam-se entender no autismo, no calculismo contabilístico, no pessimismo, na secura perante a realidade social, meteriam Belém e São Bento ligados através de uma máquina de calcular on-line, sem conta nem medida das dimensões do social e do cultural.

Uma vitória de Soares seria o descambar para saciar as fomes atrasadas do baronato socialista. E Sócrates perderia o que tem de melhor – manter afastada uma parte da matilha que se quer governar em vez de governar. Teríamos, em Belém, um Presidente a dormir sestas e a programar passeios e cerimónias, enquanto Sócrates teria de encharcar de sinecuras os muitos comilões atrasados [Vara(s) e Gomes, seriam aos molhos como cogumelos]. Governaria ainda pior - a dar bolos aos barões e ainda empatar-se e empatar-nos com os pagamentos ao Jerónimo do frete soarista que este lhes anda a fazer.

Alegre representa a possibilidade, sem deslocar da esquerda o centro da gravidade institucional (pelo contrário, consolidando-o), aquele que pode, pelo magistério de influência, pelo seu sinal eleitoral, pela emergência de energias de novas camadas antes fartas da política, dos políticos e dos aparelhos dos partidos (desta política, destes partidos, destes aparelhos), reavivando a energia da esperança e de se acreditar no futuro, um novo elan patriótico numa renovação do gosto em se ser português, impondo, sem imposição, que a superação do populismo não seja feita pela via tecnocrática, que o social e o cultural se sentem à mesma mesa da economia e das finanças. Com a única autoridade capaz de equilibrar a arrogância da maioria absoluta e que tirou a alma a ministros e secretários. E se Alegre obrigava a um governar melhor, também empurraria os partidos a melhorarem, pela subida de parada de exercício de cidadania dos eleitores, logo mais exigentes.

Se votei Sócrates, preciso agora de Alegre. Para que a liberdade e as energias, levantem o prazer cidadão, quebrando algemas. Expliquei-me?
publicado por João Tunes às 17:16
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