Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2005

FIXE E SUPER?

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O Setúbal ganhou ao Braga, em Braga. O Braga andava inchado com a sua carreira. O Setúbal tem os ordenados em atraso aos seus jogadores há vários meses, o que não tem faltado ao Presidente da agremiação que continua a receber “o seu”. Segundo dizem, uma base da ascensão do Braga é a sua impoluta e rigorosa gestão do plantel e do património. Com este resultado, o Setúbal subiu e o Braga desceu. Por mim é igual, o meu clube continua atrás do Braga, do Setúbal e mais uns tantos. E disso não reclamo pois o meu clube não está a jogar a ponta de um corno. Portanto, amanhem-se.

Depois de ver o jogo (20% de bom jogo, 80% de péssimo futebol), leio aqui, da autoria do caro Eugénio este esclarecedor elogio ao PROFISSIONALISMO dos de Setúbal:

“Basta pôr os olhos nos sadinos e como mostram o seu PROFISSIONALISMO. Sim, em maiúsculas. Quando um empregado tem os seus vencimentos em atraso e se dignam a mostrar o futebol que hoje mostraram - e têm mostrado - ao longo deste campeonato... (...), só lhes posso tirar o chapéus (digitalmente falando claro). É por isso que louvo o seu Profissionalismo... e quem duvidar que se mostre melhor!!!!!.”

Há muito que não lia um tão rasgado elogio aos méritos colaterais de acicate, de emulação, talvez autêntica escola de virtudes, pela entrega e pelos resultados, à situação de “os empregados” terem os “salários em atraso”. Ou uma apologia indirecta à exaltação de Mário Soares que “endireitou” a governação (e não endireitou nada, levou a governação até às mãos do Cavaco), como Primeiro Ministro, exactamente quando os “salários em atraso” se tornaram quase prática patronal corrente neste país. E, curiosamente, com especial incidência no distrito de ... Setúbal.

Discordo, caríssimo. O que se passa no Setúbal é uma vergonha de todo o tamanho. Uma das maiores vergonhas no futebol português. Com o “Presidente” a arrecadar certinhos e garantidos uns milhares de euros por mês, enquanto os que jogam vivem da esperança de virem a receber o que lhes é devido, é uma sobre-exploração iníqua. E, por favor, não se chame profissionalismo à vontade de cumprir, ultrapassando-se, para que lhe seja pago o que foi contratado. Isso é, quando muito, a força do desespero de cumprirem tanto que leve outros a cumprirem o mínimo, o devido. E o meu caro tira o chapéu a esta força anímica e associal?

O Eugénio convida “quem duvidar que se mostre melhor”. Eu digo-lhe: profissionalismo é cumprir os compromissos, ser profissional, sem permitir que “outros”, à sua custa, não o sejam. Abdicar ou interromper usufruto dos seus direitos legítimos, esgatanhando-se no seu mister, é cultura de escravo, não de profissionais e de homens livres.

Não tenho nada contra o Setúbal ser, até, Campeão. Que o seja, pelo menos para alegria de tantos, incluindo pessoas que estimo (o Eugénio por causa do “profissionalismo” dos sadinos e o Carlos Gil que está ansioso de ver um pequenino como Campeão). Mas será uma desgraça, como símbolo e exemplo, que o seja em resultado da energia da iniquidade. E não podemos esquecer que o futebol é exemplo condutor da nossa cultura socializada. Pelos vistos, a Mário Soares tudo se perdoa, até as malandrices que fez. Ele é Fixe e Super, até e quando convém. Mas não se “soarize”, no seu pior, os restos deste País, incluindo o futebol. Já basta o que basta.
publicado por João Tunes às 01:20
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6 comentários:
De Joo a 6 de Dezembro de 2005 às 00:58
Por mim não foi polémica (e que fosse!). Foi paródia teclada. E um prazer. Faltou o tinto "Fiúza", mas isso fica para outra oportunidade. Abraços aos dois.


De Eugnio Costa Almeida a 6 de Dezembro de 2005 às 00:48
Meu caro João, cá por mim a polémica está encerrada. O Carlos Gil já nos arrumou aos dois, numa assentada; não acha? Fiquei sem pedalada.
Um forte kandando aos dois (ah e ainda bem que a Isabela está fora... senão nem aguentaríamos)
Saudações desportivas e políticas (apre!!!)
Eugénio


De Joo a 6 de Dezembro de 2005 às 00:42
Ora, Carlos, isto é discurso anarco-sindicalista ao serviço de patrões relapsos nos seus deveres. Quanto ao resto, ganhe quem ganhar! O futebol não é tudo (é apenas quase tudo). E espero, que segundo o teu raciocínio (os pequenos contra os grandes), na quarta-feira estejas a torcer contra o Manchester (como eu, amanhã, vou torcer pelos eslovacos do Artmédia ou lá como eles se chamam). Olé! Abraços (um para ti e outro para o meu consócio Eugénio)


De Carlos Gil a 6 de Dezembro de 2005 às 00:27
Atenta a plateia, vazia de femininos e sedutores encantos que (me) apelem a pose de charme, e vendo-a prenhe de mangusagem de pêlo eriçado em volta da mui nobre e sempre erudita tergiversação em redor duma bola, apraz-me declamar tal como se em pleno estádio de euforias estivesse: “não foi golo, sôr árbitro! a baliza mexeu-se!”
Sei lá eu que habilidades circenses alguns fazem para nã´ºo ter os salários a pagar atrasados num mundo de nados-falidos! sei lá eu se o Braga é bem gerido e o Setúbal não, se o Nacional vive à pala do OE madeirense, o Benfica, o Porto e o Sporting das abébias da banca e o (meu) Belenenses do rabisco que lhe calha e passa à frente! o que eu sei lendo resultados jornada a jornada é que - e isto eu GOSTO! os 'pequenos' estão a fornicar a vida aos 'grandes' e ao fúnebre monopólio de que dispunham. Em extremo - ou como corolário - repito que gostava que um deles fossse o campeão. Não meto o meu nessas andanças, e acreditem que tenho pena. Esse dia virá. No entretanto, mas sem gastar muitos olhos com as suas artistices pois não sou adepto ferrenho do pontapé na bola, torço declarada e publicamente por esta revolta contra os 'barões' do futebol nacional. O estar a ser protagonizado por um clube onde não há as lecas mínimas que deveriam haver, dá-me um gozo especial. Se calhar infantilmente, mufanamente, estabeleço paralelo mental com a tal imagem já mítica do 'suar a camisola' pela dita, e não pelo cheque que lhe cai no bolso, hoje um daqui, amanhã um sabe-se lá donde. Até acho que o Eugénio fez o mesmo processo mental.
Mas o João é torcedor mais exigente e à finta que deixa o adversário de cu sentado na relva ele não bota aplauso sem nela ver primores dialécticos cumpridos. Ou seja e tentando explicar-me melhor, haverá golos marcados de rabo que serão mais bonitos que se o fossem de cabeça: dependerá da baliza ondea contecem pois a finta não é o sal do jogo e o golo a sua cereja, mas sim a vitória, o bolo curricularmente empratado, o resultado final. Após dois anos a ler-lhe futebol, a sua visão do dito quer na tristeza do “mero” pódio ou na alegria do seu lugar mais alto, eu acho que o João tem o grande defeito do torcedor dos 'grandes', junto com mais não sei quantos milhões de 'colegas' abc multi coloridos: têm uma visão aristocrática do futebol. Corra esta época o pior possível sabem que na próxima arriscam sempre serem campeões dalguma coisa e têm isso como direito natural, inalienável para todo o sempre. Ora o Braga (reincidente) o Setúbal e o Nacional – um dia voltar+á a calhar ao Belenenses - andam a lutar por demonstrar(-lhes) que isto não é bem assim e os tempos das vacas sagradas no futebol acabaram. Num meio dito profissional mas que eu acho mais merecedor de cognome de mercenário, eu leio beleza e muita, muita dignidade em os jogadores dum clube que não cumpre com eles o contrato demonstrarem domingo a domingo que o futebol, afinal, ainda é um jogo que se joga (também) para ganhá-lo, marcar mais golos que o adversário.
A isso pago rodada e ergo latitas. Esperando ver a minha mesa cheia, deixando desde já convite.
Abraço aos dois, cordiais saudações desportivas etc, etc, merdinha para tanto blá-blá quando, acredito! nenhum de nós deixará de fazer um sorriso rasgado se um qualquer David derrubar os Golias, mesmo que o caído seja da fam+ília.



De Joo a 5 de Dezembro de 2005 às 22:38
Não, não como essa, Eugénio. [e não se zangue pelo calor do estilo que só existe na combustão da consideração]. Então o meu caro fala do profisssionalismo dos sadinos com salários em atraso e depois, grande lata, diz para não se misturar política com desporto (e que isso é coisa de santanetes!). E, por "coerência", pois claro, vai por aí fora e varre todos os candidatos. Vc, caro Eugénio, sabe bem (o Carlos Gil também, mas esse, sabe-se de ginjeira, arma-se em mufana ou mangusso, conforme lhe convém e tendo em conta as paisagens auditórias, depois arregala os olhos como ingénuo solicitador que só trata de derramas de latitas, como se, quem o conhece, o fosse tomar por uma pitinha debutante...) que, em Portugal, no republicano ou no monárquico, o futebol é, também (e esse é o seu ethos cultural), uma enorme, útil, prática e conveniente metáfora (sobretudo pela sua abrangência, a qual nos permite comunicar para quase todos os públicos). Ora! Sem querer prolongar a polémica, digo-lhe claramente: no futebol ou onde quer que seja, eu não admiro escravos motivados pela sua escravidão, transformando grilhetas em energia sublimadora ao serviço do negreiro! Abaixo o Setúbal! Viva o Braga! Ou, até, o Nacional!(com o devido respeito para com os salmonetes). Abraço cordial e desportivo.


De Eugnio Costa Almeida a 5 de Dezembro de 2005 às 19:40
Ponto 1: entre os que Carlos Gil citou não tenhamos a mínima dúvida que prefiro o Benfica campeão;
Ponto 2: quando realcei o profissionalismo dos sadinos fi-lo na boa-fé de quem tendo ordenados em atraso e vendo (espero que estas bocas sejam somente falaciosas) o seu "presidente" - nada de confusões - a receber mensalmente cerca de 5000 Euros, fazem continuar a merecer os meus elevados elogios;
Ponto 3: não misturemos política com o Desporto. Isso é para meninos como Santana Lopes ou Reboredo Seara ou afins.
Ponto 4: como o ilustre companheiros destas andanças já fez o favor de esclarecer nestas páginas não morro de amores pela actual república - sim letras pequenas - portuguesa; também nunca disse que desejava a monarquia, mas isso são outros quinhões. Em qualquer dos casos e se alguém conseguir dar-me a volta para votar nestas presidenciais acredite que há três que definitivamente nunca levarão o meu voto "o sempre primeiro em tudo", o esfíngico caricatural de OS vindo dos Algarves que não do Dão, e um senhor que que gosta tanto ser alcunhado de Barão de Nafarros como Conde do Vau. E dos dois restantes também não aprecio muito quem sabendo demais de economia pouco tem apresentado para a sua recuperação.
Um abraço e viva os da 2ª circular Oeste (ou Sul) a pedra embaralhou as mãos.
Eugénio Almeida


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