Terça-feira, 6 de Dezembro de 2005

UM “ESPONTÂNEO” NA PRESIDÊNCIA?

debate.JPG

Vi o debate Alegre-Cavaco. [Eu, um profundo relapso á tv, vi o debate para me preparar para medir os actores da segunda volta.] Sobre a prestação de Alegre nada digo, porque jogo em casa e disso não quero abusar nem esfarrapar as bandeiras.

Falo de Cavaco, tentando dar-lhe o benefício da condescendência de o achar homem seco mas esforçado em ser democrata, sem conseguir passar além de menino infeliz mas aplicado e sabidão que, um dia, sonhou ser presidente. E obrigando-nos a partilhar esse seu sonho como se ele fosse um desígnio nacional.

A imagem que fiquei da prestação de Cavaco-Candidato é a de uma maquineta de charcutaria em que meteram economia, mais pão ralado [erro de casting] e uns paus de pose de loureiro, saindo uma espetada nada mixta, assim a puxar mais para a codorniz grelhada.

Não sei se será por ter a nata dos banqueiros a compor-lhe a gravata e a bainha das calças, a gandulagem resguardada dos fura-vidas e dos pepedês e cedeêsses a armar-lhe a tenda, as juventudes partidárias à procura de primeiro emprego a dar-lhe vida aos comícios, mas Cavaco-Candidato dá a ideia inapelável de ser um actor destrambelhado que aparece na tela no filme errado e como um simples e ridículo despropósito (seria um émulo de Pamplinas, se o filme fosse para a malta se rir).

O homem enganou-se, não só no filme, mas também nas eleições. Ele só articula duas coisas de jeito (e essas são terríveis, porque terrível é a austeridade sombria do seu pessimismo a apelar á emigração imediata) quando mete economia e finanças. O resto (o social, o cultural, o humano, o internacional, o institucional, o judicial, o militar, o político) é, para ele, uma chatice estranha do tamanho da monotonia dos grãos de areia do Sahara. Ele tem essa obsessão – meter um Ministro das Finanças na Presidência da República. Ele mesmo.

Não sei porque é que o homem, até patusco no seu “non-sense” de simplório perigoso, se enfiou no cenário errado, armado em “espontâneo” com missão de salvação. Mas que é um susto, cada vez mais susto, lá disso não passa.
publicado por João Tunes às 00:12
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. OS VOTOS E OS RATOS

. Bom fim-de-semana

. A Guidinha é que sabe...

. SABER CONTAR

. VIOLÊNCIA SOBRE AS CRIANÇ...

. UM CRIATIVO (ou a melhor...

. PROFESSOR EGAS MONIZ

. UM PARA UM

. REVISÃO

.arquivos

. Setembro 2007

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds